Sorria: você está cercado de babacas
Não há coisa mais chata e mala do que o sábio conselheiro, aquele sujeito que se acha a voz da experiência e o dono da razão. Portanto, contrariando a ditádica da auto-ajuda, a catedrática em assuntos que tratam do fiasco da raça humana, Lauren Lee Walker, comenta sobre determinadas situações que levam o homem a desejar infinitamente ser uma criatura anti-social ou se transformar numa poeira cósmica que paire bem longe do planeta Terra.
Atualmente, Lauren está para lançar, no Brasil, o livro de anti-ajuda "Eu odeio gente", uma sátira à publicação "Um dia daqueles". Ao invés de ilustrar suas páginas com bichinhos e frases fofinhas, a autora mostra pessoas protagonizando cenas terríveis, que vão de um simples cutucão irritante a genocídios. Dessa forma, o livro admite o inadmissível: que há milhares de motivos para se odiar gente, que ninguém é obrigado a acreditar que tudo vai dar certo (como prega "Um dia daqueles") ou a gostar de trabalhar em equipe. Com isso, pretende que o leitor se identifique com as situações retratadas, tanto no papel de incomodado quanto de incomodador.
A autora tem 29 anos e vive nas montanhas do Maine, nos EUA, onde se isolou após anos de decepções com os seres humanos. Lauren Lee é australiana, filha de um pai gogo-boy, Ph.d. em Antropologia e Negócios por uma renomada universidade norte-americana. É também autora da tese "The Evil-Eye, An Anthropological Approach", que trata do chamado "olho-grande", e dos livros ainda não publicados no Brasil "A arte de fazer inimigos" e "Ypsilon, o cromossomo-palhaço". Aí vão algumas VERDADES do livro...
Gente que costuma comentar: Você é tão bonita(o) para ficar séria. Dê um sorriso!
Para os ditadores da felicidade, a resposta é simples: você é tão mala que deveria nunca abrir a matraca e mostrar os dentes.
Gente que acredita em idéias estapafúrdias: vamos fazer uma dinâmica de grupo na empresa. Todos dão as mãos e juntos dão uma cambalhota.
Dinâmicas de grupo e profissionais de Recursos Humanos com seus tailleurs mal-cortados são pragas que infestam o odiável mundo corporativo. Quem dele participa é tão insano que talvez mereça dar cambalhotas, segurando as mãos suadas de desconhecidos. Pior do que isso, só quando o R.H, além de destrinchar seu passado e vasculhar suas hemácias e fezes, ainda resolve testar sua paciência com exames psicotécnicos tolos, como o sacal wartegg.
Gente desconhecida que gosta de criar intimidade instantânea, chamando-o de fofa, querida, meu bem ou meu anjo.
Retribua a gentileza chamando-o de rolhinha de poço do meu coração ou adorável diabinho sulfuroso.
Gente que fala a gíria do momento "tal lugar está bombando" ou, ao invés de dizer que está tudo combinado, solta um irritante "já é". Gente que explica tudo com um inócuo "tipo assim".
Só pode haver uma única explicação científica para isso: esse é um vocabulário típico de vítimas de lobotomia. Em caso de burrice natural, vai o castigo clássico: voltar para alfabetização intensiva, com caderno de caligrafia e memorização de dicionário.
Gente que conversa sem parar durante uma sessão de cinema.
Uma alternativa econômica seria fornecer focinheiras de uso obrigatório.
Gente que fala coisas com tom de verdade absoluta, ignora o restante do mundo, e, quando outra pessoa dá a sua opinião, o convencido completa: "Então, isso também. Como eu estava falando antes..."
Isso me fez lembrar de Malcolm McDowell no filme "Laranja mecânica". Para aprender a escutar, nada melhor do que aquele aparato metálico que mantivesse os ouvidos bem abertos em sessões ininterruptas daquela série com uma babá de vozinha aguda, "The Nany".
"Infelizmente, a minha condição de eremita não me livrou das tranqueiras virtuais nojentas que saem do cérebro humano. Eles me perseguem na Internet com suas ofertas tão úteis quanto uma máquina de fazer gelo no Círculo Polar Ártico!!!"... arremata a autora.
Que mimo...
Escrito por Montagna às 15h06
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